terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um início...

Pode parecer interessante cozinhar e descobrir sabores, ser seduzido por novos aromas, gerar um prazer àquele que experimenta algo que você fez, mas tudo tem um preço. Em uma semana de estágio, após mudar completamente o rumo de uma vida profissional, você pode se deparar com 7 cortes nas mãos, duas queimaduras e uma fadiga inimaginável. Outras áreas também escravizam seus estagiários, mas acredito que nenhuma outra envolva facas, produtos quentes e várias caixas que precisam transitar entre uma câmara fria e uma cozinha quente. Não, apesar de parecer não se trata de uma reclamação. Apenas uma maneira de se entender por onde transita o prazeroso e perverso caminho da cozinha.
Entrar em um curso de graduação como gastronomia mexe com os ânimos como uma faculdade de direito, medicina e psicologia. Explicações: Direito porque mesmo no primeiro semestre todas as pessoas acreditam que você já é uma advogado e ficam lhe importunando com milhares de perguntas sobre legislações que você nunca viu. Medicina, que qualquer ferida vira motivo de uma ligação desesperada de amigos em busca de uma solução quase impossível, sem falar as tosses e diagnósticos quase psicografados que um mero residente é capaz de fazer. A psicologia porque as pessoas acreditam mesmo que você nasceu com o dom de escutá-las, o que faz com que às vezes você até evite sair com alguns tipos de pessoas.
A Gastronomia tem disso sim! Todos imaginam que você pode cozinhar e sabe realmente do que está falando. Tsc! Momento Informação: Na frança, segundo um cozinheiro francês que conheci, ninguém se forma em gastronomia. Se formam pra serem cozinheiros! E claro, depois de muitos anos podem chegar a conseguir o título de Chef (Sem o "e" - Chefe - que tanto teimam em usar). E descobri algo mais incrível: a Cordon Bleu não, realmente não é uma escola de cozinheiros respeitada na frança (não são palavras minhas, são do Cozinheiro que citava antes).
Enfim... Muitas coisa pra aprender e pouco tempo. Mas o que realmente aprendi até agora (longas duas semanas) é que na cozinha existe um exercício diário de algo muito pouco cultuado: a humildade. Estou exercitando, não somente ser humilde, mas entender um universo muito maior do que imaginava. E acima de tudo, perceber a insignificância de ser ínfimo, partindo da suposição que estou diante de um universo.

2 comentários:

  1. Olha amigo, é a realidade inesgotável de cozinhar. Tudo isso vai além do glamour, vai para as nossas veias e as vísceras, pois a cada minuto de trabalho temos que dar tudo que existe em nós, do físico ao psicológico e sem falar de todo amor que possa existir em nosso corpo e mente.
    Em homenagem a você, te escrevo parte do meu PI:
    Antes sempre se permitir ao novo, que viver na eterna certeza do que se tem entre as mãos. A verdadeira aventura de nossas vidas pode ser criada diariamente em cada detalhe do que iremos comer. Não veja o alimento como algo que se deglute, veja o alimento com a psicologia e a filosofia da sua vida, pois desta forma, terás dias incríveis e cheios de emoções.

    Jacqueline da Silva Almeida

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  2. Me divertivindo com tuas novas experiências, fico a pensar [e a ad.mirar] a sua capacidade de renovar-se, de permitir-se. Não deixe de compartilhar e transcrever o teu cotidiano aqui, tá? Bom acompanhá-lo "de pertinho". Apesar de não resolver uma coisa: saudade. Chêrin pra tu!
    :*

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