quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ganache, Creme de Maracujá e Suspiro Suíço... e outro suspiro.



Nunca fui um fã dos doces, nem muito menos apreciei a demasia dos açúcares. Sempre optei por algo próximo ao amargo como opção de sobremesa. Nada como um Ganache de chocolate (simples até demais), com um creme de maracujá (tão simples quanto) e um suspiro suíço (nem tão fácil assim). A confeitaria tem seus encantos, mas é pra poucos. O doce, quase em contraposição as experiências da vida, é algo praticamente milimétrico. A perfeição do sabor de algo que envolve o açúcar depende da matemática das misturas e a alquimia da prática. É preciso ter gravado em mente o sabor que se busca, metaforizando... ...como se soubéssemos o que queríamos antes de alcançar, tendo por base um objetivo. A felicidade, tão perto da serotonina liberada pelo consumo do doce causando sensação de bem estar, também requer objetivos e obstinações. É necessário se buscar algo que se imagina o gosto, porque caminhada sem objetivo não tem caminho definido. Doces! Algo realmente intrigante, ou diria "deliciosos" para alguns.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um início...

Pode parecer interessante cozinhar e descobrir sabores, ser seduzido por novos aromas, gerar um prazer àquele que experimenta algo que você fez, mas tudo tem um preço. Em uma semana de estágio, após mudar completamente o rumo de uma vida profissional, você pode se deparar com 7 cortes nas mãos, duas queimaduras e uma fadiga inimaginável. Outras áreas também escravizam seus estagiários, mas acredito que nenhuma outra envolva facas, produtos quentes e várias caixas que precisam transitar entre uma câmara fria e uma cozinha quente. Não, apesar de parecer não se trata de uma reclamação. Apenas uma maneira de se entender por onde transita o prazeroso e perverso caminho da cozinha.
Entrar em um curso de graduação como gastronomia mexe com os ânimos como uma faculdade de direito, medicina e psicologia. Explicações: Direito porque mesmo no primeiro semestre todas as pessoas acreditam que você já é uma advogado e ficam lhe importunando com milhares de perguntas sobre legislações que você nunca viu. Medicina, que qualquer ferida vira motivo de uma ligação desesperada de amigos em busca de uma solução quase impossível, sem falar as tosses e diagnósticos quase psicografados que um mero residente é capaz de fazer. A psicologia porque as pessoas acreditam mesmo que você nasceu com o dom de escutá-las, o que faz com que às vezes você até evite sair com alguns tipos de pessoas.
A Gastronomia tem disso sim! Todos imaginam que você pode cozinhar e sabe realmente do que está falando. Tsc! Momento Informação: Na frança, segundo um cozinheiro francês que conheci, ninguém se forma em gastronomia. Se formam pra serem cozinheiros! E claro, depois de muitos anos podem chegar a conseguir o título de Chef (Sem o "e" - Chefe - que tanto teimam em usar). E descobri algo mais incrível: a Cordon Bleu não, realmente não é uma escola de cozinheiros respeitada na frança (não são palavras minhas, são do Cozinheiro que citava antes).
Enfim... Muitas coisa pra aprender e pouco tempo. Mas o que realmente aprendi até agora (longas duas semanas) é que na cozinha existe um exercício diário de algo muito pouco cultuado: a humildade. Estou exercitando, não somente ser humilde, mas entender um universo muito maior do que imaginava. E acima de tudo, perceber a insignificância de ser ínfimo, partindo da suposição que estou diante de um universo.